Webinários 2021
Webinário
Criminalização e Desumanização de Migrantes e Refugiados na Fronteira Estados Unidos-México
Desde que foi instituída em 1924, a patrulha de proteção da longa fronteira entre o México e os Estados Unidos e suas operações de vigilância tornaram as travessias de migrantes em situação indocumentada cada vez mais perigosas. Apesar do avanço das tecnologias de securitização e consequente intensificação da repressão e da criminalização dos assim chamados “ilegais”, refletidas na escalada de prisões e mortes, pessoas migrantes de diferentes países, inclusive solicitantes de asilo e refúgio, premidas por circunstâncias adversas, continuam insurgentemente a cruzar essas fronteiras em busca do eldorado americano. Se as caravanas de migrantes da América Central em direção aos Estados Unidos barradas de ingresso ainda no território mexicano chamaram a atenção da mídia ainda na era Trump, mais recentemente, já nesta era Biden, imagens de crueldade e desumanização de patrulheiros montados a cavalo, encurralando e chicoteando haitianos que tentavam chegar aos Estados Unidos estão causando grande comoção. Essas cenas de terror e desumanização do atual regime de fronteira, que trazem à tona políticas securitárias racializadas baseadas em ilegalismos e deportabilidades, merecem reflexão, problematização e ação social. Com esse intuito, reunimos neste webinário, colegas da Argentina, Brasil e México, cujas pesquisas focalizam a fronteira, seja através de estudos de caso sobre as caravanas de migrantes da América Central, ou a saga envolvendo as travessias de refugiados climáticos do Haiti, assim como de migrantes de outras nacionalidades inclusive brasileira, seja a ênfase na produção sócio-histórica da “ilegalidade” de migrantes e as práticas de controle da migração nas fronteiras da América do Sul.
Mini-currículo
Mediadora
Bela Feldman-Bianco é doutora em Antropologia pela Universidade de Columbia. Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social e do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, ambos na UNICAMP, coordena o projeto integrado Desloca(migra)mentos. Foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia (2011-2012. Atualmente, coordena o Comitê Migrações e Deslocamentos da ABA (2021-2022), representa a SBPC no CNIg e a ABA no Comitê Diretor da Conselho Mundial das Associações Antropológicas (WCCA).
Debatedor:
Omar Ribeiro Thomaz é doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Livre-docente pelo Departamento de Antropologia Social da Unicamp, e dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia Social, em História e em Ciências Sociais. Desenvolve pesquisa nas áreas de antropologia da guerra e do conflito e história social da África e do Caribe, tendo realizado pesquisa de campo no sul de Moçambique, em Uganda e no Haiti.
Mini currículo dos expositores e expositora:
Eduardo Domenech é Doutor em Sociologia, Professor pesquisador do Centro de Estudos Avançados da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nacional de Córdoba (UNC) e do Centro de Pesquisas e Estudos sobre Cultura e Sociedade (CIECS), Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET), Argentina. Seus atuais interesses de pesquisa estão focados na produção sócio-histórica da “ilegalidade” de migrantes e na transformação das políticas e práticas de controle de migração e fronteira na América do Sul.
Handerson Joseph é Doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor do Departamento de Antropologia e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFRGS. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Fronteira (PPGEF/UNIFAP). Membro do Comitê Migrações e Deslocamentos da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), do Grupo de Trabalho da CLACSO Fronteras: Movilidades, Identidades y comercios. Nos últimos anos desenvolveu pesquisa de campo sobre as dinâmicas migratórias no Haiti, no Suriname, na Fronteira entre Estados Unidos e México (Tijuana), na Tríplice Fronteira Amazônica: Brasil, Colômbia e Peru, na Fronteira entre a Guiana Francesa e o Brasil (Amapá).
Bruno Miranda é Doutor em Ciências Políticas e Sociais pela UNAM, sendo atualmente Investigador Associado do Instituto de Investigações Sociais nessa mesma universidade com o projeto “La frontera norte de México como espacio social de espera en los corredores migratorios globales”. Coordena o Grupo de Trabalho da CLACSO “Fronteras: movilidades, identidades y comercios” e participa do projeto (In)movilidades en las Américas y COVID-19. Nos últimos anos, tem acompanhado as mobilidades migratórias de famílias e pessoas bolivianas do Cone Sul e a espera de pessoas subsaarianas no México. Suas áreas de pesquisa são: Migrações, mobilidades humanas e fronteiras; Trabalho escravo e escravidão moderna; Racismo e racialização migrante.
Amarela Varela Huerta é professora / pesquisadora da Academia de Comunicação e Cultura da Universidade Autônoma da Cidade do México. Uma aprendiz feminista que se compromete a coproduzir crônicas sobre as lutas dos migrantes (e as práticas de morte contra eles) narradas a partir da experiência e do conhecimento dos próprios povos em movimento. Concluiu o doutoramento em Sociologia pela Universidade Autónoma de Barcelona e licenciou-se em Ciências da Comunicação pela UNAM. É membro do Sistema Nacional de Pesquisadores do México. olabora com diferentes grupos de pesquisa-ação sobre migração e feminismos pretos.
