Informativos 2016

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Informativos 2016
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Publicado em 25/02/2016

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Informativo especial - conjuntura 01/2016 | 25/02/2016
2015 – Balanços parciais a partir de perspectivas antropológicas
<p style="text-align:justify">Com o presente <em>Informativo Especial</em> a Diretoria <em>Pol&iacute;ticas da Antropologia</em>, eleita para dirigir a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Antropologia (ABA) no per&iacute;odo de 2015-2016, apresenta aos associados nesse in&iacute;cio de ano an&aacute;lises sobre o per&iacute;odo de 2015, elaboradas pelas comiss&otilde;es, comit&ecirc;s tem&aacute;ticos e representantes da ABA em entidades p&uacute;blicas. Nossa inten&ccedil;&atilde;o &eacute;, al&eacute;m de informar, subsidiar o debate interno &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o nos temas em que a ABA se v&ecirc; demandada e se faz presente na esfera p&uacute;blica a partir da atua&ccedil;&atilde;o de suas comiss&otilde;es e comit&ecirc;s. Trata-se de uma tentativa de expor quest&otilde;es de modo simples e acess&iacute;vel, para al&eacute;m das segmenta&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas a que nos vemos todos por vezes limitados. &Eacute; tamb&eacute;m um est&iacute;mulo para que tais quest&otilde;es sejam n&atilde;o s&oacute; mat&eacute;ria de debate pol&iacute;tico, parte de nossa vida como cidad&atilde;os, mas tamb&eacute;m a que suscitem frentes de investimento intelectual.<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em termos da conjuntura brasileira, 2015 foi um ano que se iniciou sob o quadro de uma pesada crise pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica, num cen&aacute;rio mundial em que guerras, com os deslocamentos populacionais decorrentes, terrorismo, desacelera&ccedil;&atilde;o e crescente retra&ccedil;&atilde;o das economias se explicitaram no decorrer do per&iacute;odo, influindo fortemente em connn_titles nacionais como o nosso. A &ldquo;crise&rdquo; brasileira despontou nos primeiros meses de 2015, com a instala&ccedil;&atilde;o de fortes e crescentes restri&ccedil;&otilde;es financeiras, somadas se somam o proclamado &ldquo;ajuste fiscal&rdquo; que, na pr&aacute;tica, significa menos investimento por parte do governo. A extens&atilde;o dessas restri&ccedil;&otilde;es, todavia, s&oacute; se tornou plenamente conhecida no final do primeiro semestre. No &acirc;mbito acad&ecirc;mico, as repercuss&otilde;es foram abrangentes e com consequ&ecirc;ncias ainda a serem avaliadas. Os cortes abruptos das taxas de bancada das p&oacute;s-gradua&ccedil;&otilde;es, do financiamento a peri&oacute;dicos &ndash; <em>Vibrant </em>(<a href="http://www.vibrant.org.br/" target="_blank">http://www.vibrant.org.br/</a>) tendo sido uma das &ldquo;v&iacute;timas&rdquo; de exclus&otilde;es seletivas e discricion&aacute;rias &ndash;, vem repercutindo at&eacute; esse momento, num in&iacute;cio de ano em que pouco se sabe al&eacute;m do crescente panorama de recess&atilde;o. Mesmo que muitos teimem em achar que os recursos retornar&atilde;o, e &ldquo;as coisas ser&atilde;o como sempre foram&rdquo; &ndash; melhor dizendo, como passaram a ser, sobretudo, ap&oacute;s o ano de 2004, quando as estat&iacute;sticas demonstram o in&iacute;cio de uma curva ascendente de investimentos federais em ci&ecirc;ncia, tecnologia e educa&ccedil;&atilde;o &ndash;, os indicativos at&eacute; o momento s&atilde;o de menos recursos e as mesmas exig&ecirc;ncias das ag&ecirc;ncias de fomento governamentais.<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A &ldquo;crise&rdquo; brasileira &eacute;, no entanto, mais extensa, pois seja pela n&atilde;o explicita&ccedil;&atilde;o do connn_title de crise econ&ocirc;mica durante o per&iacute;odo de campanha eleitoral de 2014, seja pela incapacidade de governar com um Legislativo adverso, na pr&aacute;tica a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica no Brasil parece em estase, &agrave; espera de defini&ccedil;&otilde;es, ou tomando medidas paulatinas ap&oacute;s o solavanco dos cortes or&ccedil;ament&aacute;rios. A crise &eacute; bastante evidente, por exemplo, na &aacute;rea da cultura, em especial no tocante a aspectos do registro do patrim&ocirc;nio imaterial, como bem aponta o Comit&ecirc; Patrim&ocirc;nio e Museus.<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se o espa&ccedil;o propriamente acad&ecirc;mico se viu impactado pelos cortes or&ccedil;ament&aacute;rios (que em si demonstram a sabida e, por vezes, denegada depend&ecirc;ncia dos recursos governamentais), os setores sociais com que os(as) antrop&oacute;logos(as) t&ecirc;m desenvolvido seus trabalhos viram-se diante do mesmo quadro, intensificado, de viola&ccedil;&otilde;es de direitos que marcou em larga medida os &uacute;ltimos anos. O ano marcou-se pela paralisia dos processos de regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria de terras ind&iacute;genas e de quilombos, amplamente judicializados. Mas a explicita&ccedil;&atilde;o de um quadro cr&iacute;tico e de descumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o pertinente n&atilde;o parou por a&iacute;. Fomos confrontados com a ruptura da barragem de rejeitos da empresa de minera&ccedil;&atilde;o Samarco em Mariana, Minas Gerais, e o grave crime contra vidas humanas e o meio ambiente, sem maiores puni&ccedil;&otilde;es ou compensa&ccedil;&otilde;es at&eacute; o momento. Enquanto isso, no Senado, tramitou em tempo recorde o Projeto de Lei n&ordm; 654/2015, de autoria do Senador Romero Juc&aacute;, que disp&otilde;e &ldquo;... sobre o procedimento de licenciamento ambiental especial para empreendimentos de infraestrutura considerados estrat&eacute;gicos e de interesse nacional&rdquo;, e que se acha pronto para aprecia&ccedil;&atilde;o em plen&aacute;rio (<a href="http://www.portal.abant.org.br/images/informativos/Link_1.pdf" target="_blank">leia aqui o nn_title do PL</a>). Por ele o rito administrativo do licenciamento ambiental, que com suas imperfei&ccedil;&otilde;es tem salvaguardado popula&ccedil;&otilde;es tradicionais afetadas por grandes projetos de infraestrutura, se v&ecirc; aligeirado, e tornar-se-&aacute; em larga medida um procedimento fict&iacute;cio.&nbsp;&nbsp; &nbsp;<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para os povos ind&iacute;genas, foi no m&iacute;nimo um ano paradoxal. Por um lado, apesar das amplas movimenta&ccedil;&otilde;es do Abril Ind&iacute;gena, focadas sobretudo na luta contra a aprova&ccedil;&atilde;o do Proposta de Emenda Constitucional n&ordm; 215 de 2000, de autoria do Deputado Almir S&aacute; (RR), que transfere a compet&ecirc;ncia da Uni&atilde;o na demarca&ccedil;&atilde;o das terras ind&iacute;genas para o Congresso Nacional, tornando um processo administrativo de reconhecimento dos direitos origin&aacute;rios dos povos ind&iacute;genas &agrave;s terras por eles tradicionalmente ocupadas, em mat&eacute;ria de barganha pol&iacute;tica no Legislativo, que passaria a reconhecer as terras por meio de leis, e possibilita a revis&atilde;o de terras j&aacute; demarcadas, os povos ind&iacute;genas viram a cria&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o especial para sua avalia&ccedil;&atilde;o que a aprovou (<a href="http://www.portal.abant.org.br/images/informativos/Link_2.pdf" target="_blank">leia aqui a &iacute;ntegra do nn_title da PEC</a>). Enquanto isso, em larga medida como fruto do quadro de indefini&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, cresceu a viol&ecirc;ncia sobre os povos ind&iacute;genas &ndash; as regi&otilde;es do Mato Grosso do Sul e do sul da Bahia sendo das mais evidentes, mas n&atilde;o as &uacute;nicas &ndash;, bem como se agravaram os problemas na &aacute;rea da sa&uacute;de. Ao mesmo tempo, transcorreu, sob a organiza&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio, o amplo processo de realiza&ccedil;&atilde;o da I&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Pol&iacute;tica Indigenista, realizada de 14 a 17 de dezembro de 2015.&nbsp; &nbsp;<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em todos estes cen&aacute;rios viu-se a opera&ccedil;&atilde;o da alian&ccedil;a urdida por setores sociais voltados &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o de <em>commodities</em>, com amplo investimento financeiro nas campanhas eleitorais de representantes do agroneg&oacute;cio, dos setores de extra&ccedil;&atilde;o mineral e de parlamentares evang&eacute;licos, forjou o bloco que tem sido chamado &ldquo;Bancada BBB&rdquo; (Boi, Bala, B&iacute;blia), express&atilde;o dos interesses mais venais, conservadores e antidemocr&aacute;ticos. O resultado &eacute; o perfil da legislatura atual, com parlamentares a um tempo despreparados quanto ao funcionamento da engrenagem legislativa, e de not&aacute;vel m&aacute; f&eacute; quanto aos direitos diferenciados de amplos setores da popula&ccedil;&atilde;o. Um dos focos dos parlamentares evang&eacute;licos (em alian&ccedil;a com os segmentos conservadores da bancada cat&oacute;lica) tem sido o ataque ao reconhecimento de direitos sexuais e reprodutivos. Como exemplo, aqui examinado, dentre outros, tramita o Projeto de Lei n&ordm;. 6583/13, que disp&otilde;e sobre o Estatuto da Fam&iacute;lia, com graves consequ&ecirc;ncias diante da realidade social brasileira, em particular (<a href="http://www.portal.abant.org.br/images/informativos/Link_3.pdf" target="_blank">leia aqui a &iacute;ntegra do PL</a>). Outro foco da bancada BBB se materializou na cria&ccedil;&atilde;o da CPI da Funai e do Incra, na qual esses mesmos setores conservadores &ndash; nesse caso capitaneados principalmente por deputados ruralistas da regi&atilde;o sul do pa&iacute;s e do Mato Grosso &ndash; &ldquo;questionam&rdquo; n&atilde;o s&oacute; a atua&ccedil;&atilde;o destes &oacute;rg&atilde;os, mas tamb&eacute;m a compet&ecirc;ncia e mesmo a lisura do trabalho antropol&oacute;gico na produ&ccedil;&atilde;o de per&iacute;cias antropol&oacute;gicas seja sob a forma de &ldquo;laudos antropol&oacute;gicos&rdquo; e nos relat&oacute;rios. Diante desse cen&aacute;rio mais geral e frente aos efeitos da crescente pr&aacute;tica desses procedimentos antropol&oacute;gicos fora dos marcos &eacute;ticos que a ABA tem procurado balizar, realizou-se em Bras&iacute;lia, em 17 e 18 de agosto de 2015, uma oficina para a produ&ccedil;&atilde;o do documento intitulado <em>Protocolo de Bras&iacute;lia. Laudos antropol&oacute;gicos: condi&ccedil;&otilde;es para o exerc&iacute;cio de um trabalho cient&iacute;fico</em> (<a href="http://aba.abant.org.br/files/82_00121696.pdf" target="_blank">http://aba.abant.org.br/files/82_00121696.pdf</a>).&nbsp; &nbsp;<br /> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os nn_titles elaborados pelas Comiss&otilde;es e Comit&ecirc;s da ABA trazem, portanto, ao leitor algumas das quest&otilde;es mais candentes colocadas pela conjuntura atual &agrave; produ&ccedil;&atilde;o da antropologia, em suas m&uacute;ltiplas interfaces com as demandas das popula&ccedil;&otilde;es nativas e minorias, das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e de nossa &eacute;tica profissional. Pensamos que quando a conjuntura &eacute; adversa devemos, como pesquisadores, professores e cientistas que somos, responder com mais an&aacute;lise, mais cr&iacute;tica e mais sugest&otilde;es para caminhos alternativos. &Eacute; o convite que aqui fazemos.</p> <p style="text-align:justify"><strong>Diretoria Pol&iacute;ticas da Antropologia - ABA 2015/2016</strong></p>
  Direitos territoriais indígenas seguem a passos lentos e sob o risco de retrocesso
 

       Iremos nos concentrar na problemática fundiária, isto é, na efetivação do direito à terra ou territorial de povos e comunidades indígenas no país. Como veremos a seguir, embora este direito esteja reconhecido na Constituição Federal de 1988, ele vem sendo questionado e fragilizado especialmente pelo setor ruralista, mas não exclusivamente, por meio de propostas de emendas à Constituição (PEC 215) e da instituição de Comissão Parlamentar de Inquérito com o objetivo de “investigar” a atuação da Funai no processo de reconhecimento de direitos territoriais de povos indígenas. Esta pressão ruralista, não temos dúvidas, acaba se refletindo no desempenho do órgão indigenista oficial, e por consequência no processo de regularização fundiárias das Terras Indígenas. Em decorrência disso, há hoje conflitos por terra em diversas partes do país. A situação dos Guarani Kaiowa e Ñandéva no Mato Grosso do Sul é sem dúvida, neste início de século XXI, o quadro mais crítico e assustador de violência a que um povo indígena está submetido no país. Leia a íntegra do texto.

  Política de saúde indígena: um breve balanço
 

       ... há que destacar a evolução orçamentária positiva da saúde indígena. Tal incremento financeiro, no entanto, como se expressou na melhoria da saúde indígena? Esta é uma resposta difícil de se encontrar porque os dados da saúde indígena não são públicos. É necessário acionar a lei de acesso à informação, como têm feito vários pesquisadores, para obter dados epidemiológicos mais recentes. O que em si já merece reflexão e ação política no intuito de reverter essa impensável situação em contextos democráticos. Mas se considerarmos as frequentes denúncias na imprensa e nas redes sociais sobre a crise na saúde indígena, principalmente com relação à morbidade e mortalidade infantil e às condições de saneamento nas aldeias indígenas (...), não há muito o que comemorar. Leia a íntegra do texto atualizado.

  Direitos humanos e desigualdade
 

       Nos últimos meses, no Brasil, acompanhar as notícias nos jornais e nas diversas redes sociais, do ponto de vista da Comissão de Direitos Humanos da Associação Brasileira de Antropologia (CDH/ABA), tem sido um desafio e uma provocação permanentes. As denúncias e casos de violação de direitos, a discussão e/ou aprovação de projetos de lei que atingem direitos fundamentais e a enunciação pública de discursos políticos que agridem direitos têm se sucedido em um ritmo assustador. Ao mesmo tempo percebemos no cenário político e midiático brasileiro a forte presença de um discurso que veicula a ideia de “crise política e econômica” como seu principal mote. Em nome desse discurso, temos observado e alertado para a formulação de diversas iniciativas legislativas, políticas públicas e práticas institucionais que vulneram os direitos civis, formalmente garantidos a todos os cidadãos por igual. Leia a íntegra do texto.

  Terras de quilombos: paralisia, inércia e o avanço dos interesses ruralistas
 

       ... em novembro de 2015, foi instalada na Câmara dos Deputados do Congresso Nacional, a Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI destinada a investigar a atuação da Fundação Nacional do Índio - FUNAI e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA na demarcação de terras indígenas e de remanescentes dos quilombos. A sua instalação foi fruto de requerimento, datado de 16 de abril de 2015, pelos Deputados Federais Alceu Moreira (PMDB-RS), Luis Carlos Heinze (PP-RS) Nilson Leitão (PSDB-MT), Valdir Colatto (PMDB-SC) e Marcos Montes (PSD-MG). CPIs normalmente são instaladas com objetivos de investigação, ouvir depoimentos e tomar informações diretamente aos envolvidos, atendendo aos reclames populares. Neste caso, a CPI atende a interesses da bancada ruralista e de setores hegemônicos brasileiros e visa obstaculizar ainda mais os processos de reconhecimento e regularização de territórios dos povos indígenas e das comunidades dos quilombos. Leia a íntegra do texto.

  Estratégias de grandes empresas em relação a terras indígenas, terras de quilombos e de comunidades tradicionais em contexto histórico
 

       Estamos diante de intervenções que resultam na transformação irreparável dos modos de viver de centenas de milhares de famílias. Relatórios de inspeção (MPF, CNDH e dos pesquisadores) apontam, dentre várias consequências, que: está em curso um processo de expropriação dos meios de produção e de reprodução da vida dos povos e comunidades atingidos pelos grandes empreendimentos; há falta de informações adequadas junto às famílias atingidas; as negociações são realizadas em bases assimétricas e desiguais, inclusive com relatos de pressão sobre o atingido para efetuar escolha; prevalece viés unicamente patrimonialista adotado pelo empreendedor, que não flexibiliza sua postura frente à proposta de reassentamento rural coletivo ou individual em área remanescente que não recompõe o modo de vida ribeirinho. Pode-se ainda destacar que atingidos de várias categorias sociais e profissionais não são reconhecidos e têm seus direitos negados (carroceiros, garimpeiros artesanais, oleiros, comerciantes de peixes ornamentais e trabalhadoras); há violação do direito à moradia, criminalização dos movimentos sociais, violação do direito de acesso à justiça e promoção de situações que tornam as populações atingidas ainda mais vulneráveis à violência, ao trabalho escravo, à prostituição e ao tráfico de pessoas. Leia a íntegra do texto.

  Patrimônio e museus: desafios contemporâneos e a conjuntura de crise atual
 

       ... duas questões, entre outras, estão colocadas no cenário contemporâneo dos museus no Brasil.  A primeira é que ao longo do tempo muitos museus desenvolveram práticas de captura, congelamento, aprisionamento e drenagem da potência de vida. A memória como se sabe também pode servir para tiranizar. Como contribuir, então, para que essas novas experiências mantenham-se conectadas com a potência de vida e em devir? A segunda gira em torno de como contribuir para evitar que os avanços decorrentes de uma política pública - especialmente no que se refere à democratização do uso dos museus, da memória e do patrimônio - sejam paralisados e uma nova inflexão de sentido contrário venha a ocorrer produzindo obstáculos que afetem o pleno exercício do direito à memória e ao museu? Como contribuir para evitar que programas de políticas públicas como os Pontos de Cultura e Pontos de Memória sejam descontinuados em virtude e em nome de uma crise político-econômica? Leia a íntegra do texto.

  Análise da atual conjuntura sócio-política referente à prostituição
 

       Podemos concluir que o atual cenário político com forte tendência conservadora não tem ajudado no debate em relação a conquista de direitos no campo da prostituição. O que tal cenário vem proporcionando é a legitimação de práticas tradicionais e históricas com relação ao processo de repressão e controle desta população que se intensificou com as reformas urbanas em função dos mega-eventos que o país está sediando, promovendo uma situação em que, ao mesmo tempo que prostitutas ganham espaço nas esferas públicas, rotineiramente, mostra-se os velhos problemas e a tradicional fórmula, de acordo com o poder público, de lidar com populações entendidas como marginalizadas. Leia a íntegra do texto.

  Questões sobre o debate social e político atual sobre família
 

       A definição restritiva de família proposta pelo PL 6583/13 expressa os valores de um segmento da sociedade brasileira, que pretende arbitrariamente impor a sua própria definição à sociedade na sua totalidade. Os estudos antropológicos revelam que não existe um único modelo necessário, certo e universal de família. Há várias formas de organizar as relações familiares no âmbito de diferentes sistemas de parentesco. Além disso, tais sistemas estão sujeitos a transformações históricas. A própria noção de família não permite expressar toda a complexidade que envolve as regras de aliança, de residência, de filiação e as práticas de parentalidade. Leia a íntegra do texto.

  Diversidade sexual e de gênero no contexto sócio-político brasileiro atual
 

       Sob vários aspectos, parece que, no Brasil, vivemos na segunda década do século XXI o diagnóstico feito pela antropóloga Carole Vance para os EUA dos anos 1980: “A direita está tentando reimplantar os acordos sexuais tradicionais e o vínculo, antes inexorável, entre reprodução e sexualidade”. Uma mostra disso foi o inegável sucesso da Igreja Católica e de lideranças de outras denominações religiosas, ao longo dos anos de 2014 e 2015, em sua campanha voltada a excluir qualquer menção às discussões sobre gênero e diversidade sexual – compreendidas no termo de seu discurso como ‘ideologia de gênero’ -  dos planos de educação em todo país. Leia a íntegra do texto.

  Migrações e deslocamentos na atual conjuntura global
 

       Partimos do pressuposto de que os processos sociais em curso demandam a formulação de uma perspectiva global das migrações e dos deslocamentos que nos possibilite compreender, assim como teorizar sobre, as variedades, escala e espaços das mobilidades (e imobilidades) nessa conjuntura do capitalismo global. Para essa formulação, levamos em conta que, paralelamente à crescente circulação de pessoas, capitais, produtos e símbolos, está a ocorrer uma ampliação de restrições na seleção de contingentes migratórios (incluindo refugiados) relacionadas às políticas contemporâneas, sejam elas neoliberais ou desenvolvimentistas. Leia a íntegra do texto.

  Disputas sobre a normalidade
 

       No Brasil a maior legislação acerca do tema é o texto da Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, entregue pela ONU em 2006. O Brasil o assinou, juntamente com seu protocolo facultativo, em 2007, dando poderes a ONU de interrogar o Brasil sobre questões da Convenção, e o estabeleceu com status de Emenda Constitucional em 2009. Em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão, regulamentou parte da Convenção. No entanto, a presidente vetou sete itens importantes, entre eles, os que estabeleciam cotas para pessoas com deficiência, universalmente, em instituições de ensino e em empresas com 50 a 99 funcionários. As instituições de ensino são: de educação profissional e tecnológica; de educação, ciência e tecnologia e de educação superior, públicas federais e privadas. O texto, que reforça políticas de inclusão e amplia os direitos desse segmento da população, foi sancionado em 06 de julho de 2015 em cerimônia realizada no Palácio do Planalto. Leia a íntegra do texto.

  Ética em pesquisa: a luta por uma autonomia relativa
 

       O Comitê de Ética em Pesquisa da ABA funciona em articulação estreita com o nn_group de Trabalho do Fórum das Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas que se ocupa desse mesmo tema. Esse trabalho conjunto se impõe pelo fato de que a questão da ética em pesquisa vem sendo objeto de uma luta coletiva das ciências humanas e sociais (CHS) contra a subordinação indevida em que se encontram as pesquisas nessa área à normatização oriunda do Conselho Nacional de Saúde (CNS), concebida com base em premissas da bioética e construída em torno de problemáticas características da biomedicina. Leia a íntegra do texto.

  A antropologia no centro dos conflitos
 

       A promulgação da Constituição Federal de 1988 e o consequente reconhecimento no texto constitucional dos direitos sociais e culturais de diferentes expressões étnicas, demandou a atuação técnico-científica de antropólogos. Nesse cenário, a Antropologia foi trazida para o centro dos conflitos resultantes da reação contra a efetivação desses direitos, como ocorre agora, por exemplo, com o funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a Funai e Incra, na Câmara dos Deputados, em que, ao menos em suas primeiras reuniões, é o trabalho do antropólogo que estaria sob um regime de suspeição. Leia a íntegra do texto.